Saturday, November 23, 2019

Entendendo a lógica do meu assessor de investimentos


Há pouco mais de 1 ano entrei em contato com uma empresa que presta serviço de assessoria de investimentos. Sempre imaginei que esse tipo de serviço era somente para pessoas multi-milionárias e que se tratava de um serviço muito caro. Fiquei surpreso ao descobrir que não me cobrariam "nada" por isso. Com tempo fui descobrindo que todas aquelas taxas de administração cobradas praticamente em todos os tipos de investimentos são partilhadas entre gestores de fundos, corretoras e assessorias de investimentos. Já que não há  como evitar estas taxas e já que elas  serão distribuídas para alguém de qualquer jeito achei que seria então interessante ter um assessor de investimento.

Porém, existem problemas. O assessor de investimento somente pode estar vinculado a uma corretora (lei). Logo, bons produtos de outras corretoras não serão mais recomendados por ele. Na verdade, esses produtos serão menosprezados e você será desencorajado a investir parte de seus recursos em um local onde o assessor não receberá nenhuma comissão por isso (afinal de contas o negócio dele precisa dar lucro, senão fecha as portas). Outro problema que vejo é que os diferentes tipos de investimentos resultam em diferentes comissões para os assessores, portanto não há dúvida que existe um grande conflito de interesse já que se eu investir todo meu patrimônio em tesouro direto o assessor, ou a empresa que ele representa, receberá uma porcentagem muito menor do que se eu investir em um fundo multimercado com gestão ativa e com taxa de performance.

Estas minhas suspeitas estão se comprovando na prática. Recentemente, meu assessor de investimento me recomendou um PGBL. Dentro deste PGBL existem 15 fundos nos quais eu poderia distribuir os meus aportes . Coincidência ou não, por sugestão do assessor, os aportes serão distribuídos entre os quatro fundos que possuem maior taxas de administração (sendo 2 deles com taxa de performance de 20%).  Não tenho dúvida de que são bons fundos (pude comprovar verificando os gráficos passados e dão de lavada no CDI) mas me pergunto se o assessor está levando em consideração o meu perfil moderado de risco ou somente levando em conta o retorno do percentual das taxas que cairão para ele.

Outra situação estranha foi quando meus investimentos em tesouro direto venceram em 2019. O assessor sugeriu que eu colocasse tudos novamente no tesouro direto, porém comprando no mercado secundário por meio da mesa de operações da corretora. Perguntei porque não poderia comprar diretamente no tesouro direto como sempre vinha fazendo e ele disse que através da mesa de operações eu não pagaria a taxa da Bovespa (0,3%a.a). De fato, ele não estava mentindo, mas a volatilidade e até baixa liquidez no mercado secundário não foram fatores que ele deixou claro o suficiente.

Recentemente, em uma publicação do viver de renda, o VDR mencionou que irá fazer um investimento no banco máxima. Eu possuo alguma parte do meu investimento naquele banco.  Quando eu falei que queria investir mais um pouco a um percentual de  12,5%a.a. o meu assessor  de investimento prontamente apresentou diversos argumentos dizendo que o banco está próximo de ser liquidado, de que os indicadores financeiros estão ruins, e muitos outros para me demover deste objetivo. Pensando friamente, vejo alguns motivos para ele dizer isso: primeiro, certamente, ele está querendo me proteger de algo que está na iminência de acontecer. Sem dúvida, um banco que oferece 12,5% ao ano onde a taxa SELIC está abaixo de 6% provavelmente deve estar fazendo alguma mágica ou alguma pirâmide. Mas o CDB do banco máxima não estava sendo ofertado na corretora na qual o meu assessor de investimento presta serviços de assessoria. Investir no banco máxima significaria mandar parte dos meus recursos para outra corretora o que, certamente, não era interessante para ele.

Sobre investir em um banco que apresenta prejuízos recorrentes eu tenho algumas considerações a fazer: em um cenário de taxa SELIC baixa, o comentário recorrente que ouvimos é de que precisamos arriscar. Se eu peço para o meu assessor de investimento a recomendação de um fundo de ação ou um fundo multimercado ou um fundo cambial para obter um ganho extra no cenário atual ele prontamente me apresentará diversos fundos de investimentos! Quando digo que eu vou investir em um banco que está apresentando prejuízos ele pula da cadeira! No primeiro caso, o investimento em renda variável, trata-se de investimento de alto risco que poderá me devolver, inclusive, um retorno abaixo do capital investido. No segundo caso, o investimento em um CDB de um banco está protegido pelo FGC. Pelos relatos que vejo na internet, no pior dos casos, o FGC demora em torno de seis meses para ressarcir (raríssimo), e na maioria das vezes o retorno é bem mais rápido do que isso. Trata-se de investimento de risco assim como investimento em renda variável. Portanto, no cenário com baixas taxas de juros, investir em um banco que apresenta prejuízos, mas que dá um retorno alto aos  investidores e protegido pelo FGC é um investimento de risco também a ser considerado e, na minha opinião, muito mais seguro que um investimento em renda variável. Claro que estou comparando laranja com banana, pois os retornos, prazos e riscos não são  iguais. Mas, em termos de proteção de capital, CDB é um investimento muito mais seguro que ações em qualquer cenário,  especialmente no cenário brasileiro.

Não quero aqui demonizar a profissão de um assessor de investimentos, mesmo porque ele já me apresentou muitos produtos bastante interessantes e vou continuar com a assessoria dele. Também acho bastante cômodo, em alguns momentos, poder operar enviando e-mail solicitando a movimentações. Mas, como em tudo na vida, é  recomendado ter uma visão crítica. Produtos bons para mim e que também são bons para o assessor, continuarão sendo indicados. Produtos bons e adequados ao meu perfil e que não geram retorno algum ou retorno muito baixo para assessor de investimentos precisarão  ser garimpados por minha própria conta.
No próximo mês realocarei mais 125 mil do meu fundo (que segue CDI) para o Banco Mágica, digo Máxima, e veremos no que vai dar. O vencimento do CDB é em 2026, o que para o risco Brasil é uma eternidade. :(

Balanço Patrimonial 01/12/2019 - R$ R$ 1.712.397,75

Segue abaixo um resumo bem resumido da minha atualização do mês. Estou curtindo férias e depois darei maiores detalhes dos acontecimentos q...